terça-feira, junho 26, 2007

DESABAFO

ENTREVISTA DA FOLHA, COM O PAI DE UM DOS BANDIDINHOS PRESOS APÓS AGREDIREM A DOMÉSTICA SIRLEI PINTO.


Folha - O sr. acredita na acusação contra seu filho?
Ludovico Ramalho Bruno -
Eles não são bandidos. (Quem faz o que eles fizeram são o que, então?)Tem que criar outras instâncias para puni-los. Queria dizer à sociedade que nós, pais, não temos culpa nisso.(E de quem é a culpa? Da sociedade? Ainda voga o antigo dogma que o homem é 50% genética, 50% meio-ambiente?) Eles cometeram erro? Cometeram. Mas não vai ser justo manter crianças que estão na faculdade, estão estudando, trabalham, presos. (Crianças??? Estudam e trabalham? Por que então não valorizaram essas oportunidades?) É desnecessário, vai marginalizar lá dentro. (Desnecessário? Cumprir a lei, neste país já tão sem lei e ordem é desnecessário? Marginalizar? MAIS???) Foi uma coisa feia que eles fizeram? Foi. Não justifica o que fizeram. Mas prender, botar preso, juntar eles com outros bandidos... (E vai prender bandido e botar junto com quem???) Essas pessoas que têm estudo, que têm caráter, junto com uns caras desses? (Caráter?? Como eles demonstraram o caráter que possuem...) Existem crimes piores.
(Mesmo? Quais? O que é isso, valoração de crime? Matou só um pouquinho?)

Folha - O sr. já falou com ele?
Bruno - Não. É um deslize na vida dele. (Deslize? Isso lá em Pernambuco tem oooooutro nome...) E vai pagar caro. (Embora esperassem que saísse de graça...)Está detido, chorando, desesperado. (Pena que esses desesperos não aconteçam ANTES dos atos ilícitos...) Daqui vai ser transferido. Peço ao juiz que dê a chance para cuidarmos dos nossos filhos. (Por que não cuidaram ANTES??????)Peguei a senhora que foi agredida, abracei, chorei com ela e pedi perdão. Foi a primeira coisa que fiz quando vi a moça, foi o mínimo que pude fazer. (Gente... quanta bondade...) Não é justo prender cinco jovens que estudam, que trabalham, que têm pai e mãe, e juntar com bandidos que a gente não sabe de onde vieram. ( E o que é justo? Alisar seus cabelos bem tratados?Estranhamente, esses bandidos vieram do mesmo lugar que esses "cinco jovens que têm pai, mãe"...) Imagina o sofrimento desses garotos. (Imagino. E ACHO POUCO...) (comentários meus em vermelho...)

16 comentários:

Meneau disse...

Acantha, estou falando da mesma barbaridade no meu blog. É de dar nojo e ódio. Com relação a tua postagem acho que aqui é que você acertou em cheio. O pai de um dos canalhas diz :"Não é justo prender cinco jovens que estudam, que trabalham, que têm pai e mãe, e juntar com bandidos que a gente não sabe de onde vieram". Aí vem seu comentário, perfeito: "E o que é justo? Alisar seus cabelos bem tratados?Estranhamente, esses bandidos vieram do mesmo lugar que esses "cinco jovens que têm pai, mãe""

Ou seja, além de agressores brutais, o pai ainda vêm com discurso de aristocrata pra cima da gente? É o fim...

Jens disse...

Florzinha:
Você matou a pau. Disse tudo. Nem sempre concordo contigo, mas hoje...Putzgrila! VALEU! Tua indignação me lavou a alma.
***
Tem um prêmio pra ti lá na Toca. Confere. Não agradeça, você merece :-)
Beijim.

ACANTHA disse...

Olha, MENEAU querido... Tudo o que dissermos será pouco para mostrarmos a indignação e o nojo que nos motivam ante esses catastróficos absurdos... Eis a sociedade em que vivemos...

ACANTHA disse...

Mas o que move nosso amor é esse não concordarmos muito um com o outro, JENS querido...
E, delicadezas se pagam com carinho e você é dono do meu!!!

Flávio Voight disse...

Deviam ser liberados pra jogar no Pan: cricket com cabeça de escravos.

Tão bonito e tão imperialista!

Jens disse...

Oi. Eu de novo.
Publiquei o teu post lá no Blogoleone.
Sei, devia ter te consultado antes, mas fiquei tão empolgado que não resisti. Se te incomodar avisa que eu retiro. O título do post é A banalização do mal (uma referência a Hannah Arendt).
Bjs.

ACANTHA disse...

E tão sádico, FLÁVIO....

ACANTHA disse...

Você não me incomoda nunca JENS, sabe disso... E, muitíssimo obrigada...

Eduardo disse...

Bons tempos o do Código de Hamurabi.
Se fosse perguntar minha opinião, eu diria que a punição começaria com eles num ponto de ônibus, cada um sendo espancado por outras quatro pessoas, voluntários (e não ia faltar gente!). Como aqui tudo funciona na base do chorinho (e iam chorar bastante!), o chorinho deles seria um bom gilete na pele, e depois um refrescante banho de ácido sulfúrico.

E o pai iria para um sanatório, porque quem não devia estar livre era ele...

ACANTHA disse...

E eu sou a bruxa má da historinha, né, "pequeno EDUARDINHO"???

Manoel Carlos disse...

O que diria este sujeito se fosse o inverso? Se irmãos e primos da doméstica agredissem a filha dele?
É o país da impunidade, o exemplo vem de cima, dos governantes e demais homens públicos. Onde estão os que incendiaram o índio Galdino Pataxó?

ACANTHA disse...

Eis sua resposta, querido MANOEL CARLOS...

Em 2001, quatro dos cinco jovens foram condenados a 14 anos de prisão pela morte do índio: Max Rogério Alves, Tomás Oliveira de Almeida, Eron Chaves de Oliveira e Antônio Novely Villanova. Gutemberg de Almeida, irmão de Tomás, cumpriu punição numa instituição, por ser menor. No ano seguinte, Tomás, Eron e Antônio conseguiram autorização da Justiça para trabalhar.

O benefício do regime semi-aberto foi concedido porque os condenados já haviam cumprido um terço da pena. A autorização era para que saíssem do presídio exclusivamente para trabalhar e estudar, mas uma reportagem do "Correio Braziliense", publicada em 2003, mostrou Antônio, Max e Eron dirigindo, namorando e bebendo nos bares de Brasília. Antônio é filho de juiz federal. Max Rogério é enteado de ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e Eron e Tomás são filhos de funcionários públicos.

Fábio disse...

Onde não há amor, impera o ódio e onde não há justiça, impera a hipocrisia, a corrupção, a impunidade e outras mazelas que assolam nossa sociedade...

ACANTHA disse...

Assim é FÁBIO...

Manoel Carlos disse...

Foi uma pergunta retórica, poderia ter perguntado pelo cliente de Márcio Tomaz Bastos que assassinou o estudante pobre que ingressou no curso de Medicina da USP, se fosse para prender todos os bandidos, creio que nós, a minoria, é que deveríamos sair.

ACANTHA disse...

Ou mesmo pelos alunos da USP que mataram um calouro e hoje devem ser médicos já formados, MANOEL CARLOS..