quinta-feira, maio 24, 2007

REQUIESCAT IN PACEM

A pedidos, conto novamente esta história.

A vida por aqui, curiosamente, segue ao redor do cemitério. Ele fica num ponto de passagem para quase todos os lados da cidade, e assim vamos.
De um lado tem o jornaleiro e as bancas de flores, de outro o açougue e a rotisserie, na outra ponta a locadora, quase na frente, a igreja e o ponto dos travestis, na esquina, uma lanchonete... Outro dia fui no açougue e toca o celular.
Teca: - onde vc está?
Acantha: - no açougue.
Teca: -qual?
Acantha: - o do cemitério.
Silêncio sepulcral.
Teca: - carne fresquinha, né? ...

Sábado de chuva, nenhum "programa programado", fome, começam as idéias de onde jantar. No japonês não suporto mais, massa nem pensar, carne não... Acantha, você que mora aqui, o que tem de bom?
Acantha: - Ah!!! Eu adoro o rodízio de petiscos do cemitério...
Preferiram pizza. Mentalidades tacanhas...
Mas na volta passei no cemitério para comprar o jornal de domingo...

Só acrescentando, a feira livre também fica na rua ao lado do cemitério. Pois o japonês das verduras estava contando que não consegue comer repolho roxo (e eu nem sabia que isso existia..) porque, ao ser cozido, fica da cor daqueles antigos caixões que vendiam na Funerária Um Irmão - Antes Eram Dois...

12 comentários:

Jens disse...

Delícia, delícia, delícia...
Mais, mais, mais...
Considere-se intimada.
***
Beijoca.

Halem Souza (Quelemém) disse...

Retribuo a visita que fez ao meu blog e também agradeço a gentileza de me enviar a letra da canção do Visconde de Sabugosa.

Não conhecia a história do açougue/cemitério. Tenebrosa, mas engraçadíssima.

E como assim não conhece repolho roxo?

Um abraço. Volto mais vezes.

Manoel Carlos disse...

Mesmo sendo ateu, fui convidado por várias entidade ligadas à umbanda e ao candomblé para um churrasco, ao lado do cemitério.

ACANTHA disse...

Que doce, JENS... São histórias reais da minha vida, que jamais daria uma novela - no máximo
um programa de humor...

ACANTHA disse...

Seja bem-vindo, HALEM, venha sempre!
Mas não conheço muitos verdes(nem roxos..), porque sou ecologista nata: O VERDE DEVE FICAR NA NATUREZA - NÃO NO MEU PRATO!!!

ACANTHA disse...

Felizmente, querido MANOEL CARLOS, o churrasco independe de religiões, acho...
Sei que o negócio dos petiscos está indo bem: agora tem feijoada com pagode, aos sábados (parece que ninguém reclama do som em alto volume...) e frutos do mar às sextas!

Fábio disse...

..que história sinistra Acantha. Para ciência, repolhos roxo, além de saborosos e nutritivos são indicadores naturais muito utilizados em aulas demonstrativas de química para identificar substâncias ácidas ou alcalinas.

ACANTHA disse...

Eu sabia que algo roxo e com tantas funções, não podia ser gostoso, FÁBIO!!!! É apenas uma peça científica...

Meneau disse...

Só hoje vi um comentário, hilário, que você postou em meu blog, comparando Walter Mercado com Marta Suplicy, lembra-se? Agradecido.

E quer dizer que o cemitério é a referência para a vida comercial/social da localidade(rs)...

Um abraço.

ACANTHA disse...

Lembro sim, MENEAU.. Eu e o FÁBIO achamos que eles são a mesma pessoa...
Viu que curiosa nossa referência?
E tem mais: abriram uma tapeçaria muito boa, na frente do cemitério. Embora o dono tenha um certo ar de quem deveria estar na frente...

sandra camurça disse...

Óia eu de novo!
É poesia, é prosa, é verso, é encanto, é Acantha. Eita menina arretada! Gostei muito dessa história, não conhecia.

Beijos.

ACANTHA disse...

Você é muito suspeita, SANDRA. Sempre só elogiou...