segunda-feira, janeiro 29, 2007

OS MORTOS SEPULTAM OS MORTOS...

A cada nova (e foram centenas...) reportagem sobre a cratera do metrô, esta música me vinha à mente. Principalmente ao ver os caixões de luxo...

Funeral de um Lavrador
Chico Buarque
Composição: João Cabral de Melo Neto

Esta cova em que estás com palmos medida
É a conta menor que tiraste em vida
É de bom tamanho nem largo nem fundo
É a parte que te cabe deste latifúndio
Não é cova grande, é cova medida
É a terra que querias ver dividida
É uma cova grande pra teu pouco defunto
Mas estás mais ancho que estavas no mundo
É uma cova grande pra teu defunto parco
Porém mais que no mundo te sentirás largo
É uma cova grande pra tua carne pouca
Mas a terra dada, não se abre a boca
É a conta menor que tiraste em vida
É a parte que te cabe deste latifúndio
É a terra que querias ver dividida
Estarás mais ancho que estavas no mundo
Mas a terra dada, não se abre a boca.

4 comentários:

Jens disse...

Para consolo de uma das vítimas, o governador José Serra compareceu ao enterro, com cara de paisagem, não num gesto populista (coisa do Lula), mas num ato humano e solidario. Alckmin, infelizmente foi para os EUA, sem prestar esclarecimentos sobre o nebuloso contrato firmado com as empreiteiras que estão construindo a linha amarela do metrô.
Enquanto isso a locomotiva, como o tempo, não pára.
Um beijo melancólico e um abraço um tanto desalentado (também, quem mandou escrever um post tão fúnebre - baixou meu astral). Bjs.

Acantha disse...

Infelizmente, JENS??? Eu diria: menos um...

Fábio disse...

Acho que outra música do Chico também poderia ser lembrada neste triste episódio, seria Construção principalmente na parte que diz:
"...morreu na contramão atrapalhando o tráfego...."

Acantha disse...

Verdade, FÁBIO. Mas para todos, alguma vez será mesmo a última...